Disparidades regionais e o impacto da idade na mortalidade por câncer de colo do útero no Brasil (1979-2023)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.19235481

Palavras-chave:

Neoplasias do Colo do Útero, Mortalidade

Resumo

O câncer de colo do útero (CCU) representa um expressivo desafio à saúde pública no Brasil, com disparidades regionais e etárias acentuadas. Este estudo teve como objetivo identificar as disparidades regionais na mortalidade por CCU no Brasil entre 1979 e 2023, analisando a associação entre as faixas etárias e as taxas de óbito. Realizou-se um estudo ecológico com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), abrangendo 11 faixas etárias e as cinco macrorregiões brasileiras. As análises incluíram o teste de Kruskal-Wallis e a Regressão Linear Múltipla. Os resultados revelaram um gradiente etário consistente, com pico de mortalidade de 24,05 por 100 mil mulheres na faixa de 80 anos ou mais. Embora a comparação global bruta não tenha indicado diferenças significativas entre as regiões (p = 0,406), o ajuste estatístico pela estrutura etária revelou disparidades importantes: a Região Norte apresentou taxas significativamente superior ao Centro-Oeste (p = 0,002), enquanto o Sudeste registrou indicadores inferiores ao Norte (p = 0,022). Conclui-se que a mortalidade por CCU é influenciada pela vulnerabilidade regional e pelo envelhecimento. Os achados reforçam a necessidade de estratégias de rastreamento organizadas e sensíveis às especificidades regionais, especialmente na Região Norte, e a importância de ações preventivas voltadas à população idosa, visando reduzir desigualdades e óbitos evitáveis.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Willian Dums, Universidade do Contestado (UNC)

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (UNC); Especialista Lato Sensu em Fisioterapia na Saúde da Mulher (FAVENI); Graduado em Fisioterapia (UNC); Membro do Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva e Meio Ambiente (NUPESC/UNC); Bolsista FAPESC.

Renata Campos, Universidade do Contestado (UNC)

Pós-doutorado (UFPR) e Doutorado em Ciências da Saúde (USP/SP); Docente do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (UNC); Líder do Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva e Meio Ambiente (NUPESC/UNC).

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Painel de Monitoramento da Mortalidade. Rio de Janeiro: INCA, 2025. Disponível em: https://www.inca.gov.br/MortalidadeWeb/pages/Modelo05/consultar.xhtml. Acesso em: 10 jan. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 98, p. 44-46, 24 maio 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2016/res0510_07_04_2016.html. Acesso em: 16 jan. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Mortalidade. Rio de Janeiro: INCA, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/vigilancia/mortalidade. Acesso em: 15 jan. 2026.

CERQUEIRA, R. S. et al. Controle do câncer do colo do útero na atenção primária à saúde em países sul-americanos: revisão sistemática. Revista Panamericana de Salud Pública, [S.L.], v. 46, p. 1-11, 2022. Doi: http://dx.doi.org/10.26633/rpsp.2022.107.

COSTA, N. M. et al. Life stories of elderly women with cervical cancer: a look beyond getting sick. Physis: Revista de Saúde Coletiva, [S.L.], v. 31, n. 1, p. 1-18, 2021. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0103-73312021310118.

COSTA, C. N. M. et al. Incidência do câncer do colo do útero em mulheres na terceira idade no Brasil. Contribuciones A Las Ciencias Sociales, [S.L.], v. 18, n. 3, p. 1-19, 2025. Doi: http://dx.doi.org/10.55905/revconv.18n.3-028.

FILHO, M. B. S.; WILBERT, D. D. Disparidades regionais na mortalidade por câncer de colo de útero entre os anos de 2013 e 2022. Brazilian Journal Of Global Health, [S.L.], v. 4, n. 15, p. 27-30, 2025. Doi: http://dx.doi.org/10.56242/globalhealth;2024;4;15;27-30.

FONSECA, T. A. A.; SILVA, D. T. A.; SILVA, M. T. A. Distribuição dos óbitos por câncer de colo do útero no Brasil. Journal Of Health & Biological Sciences, [SL], v. 1, p. 1-6, 2021. Doi: http://dx.doi.org/10.12662/2317-3076jhbs.v9i1.4009.p1-6.2021.

FREITAS, E. G. S. et al. Mortalidade por câncer de colo de útero nas regiões brasileiras: um estudo ecológico. Research, Society And Development, [S.L.], v. 13, n. 1, p. 1-9, 2024. Doi: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v13i1.44848.

JÁRAY, B.; SCHAFF, Z. The pathology of cervical cancer - molecular tests. Magy Onkol, [S.L.], v. 66, n. 4, p. 271-278, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36602246/. Acesso em: 15 jan. 2026.

LOPES, V. A. S.; RIBEIRO, J. M. Fatores limitadores e facilitadores para o controle do câncer de colo de útero: uma revisão de literatura. Ciência & Saúde Coletiva, [S.L.], v. 24, n. 9, p. 3431-3442, 2019. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018249.32592017.

MEDEIROS-VERZARO, P.; SARDINHA, A. H. L. Caracterização sociodemográfica e clínica de idosas com câncer do colo do útero. Revista de Salud Pública, [S.L.], v. 20, n. 6, p. 718-724, 2018. Doi: https://doi.org/10.15446/rsap.V20n6.69297.

MEDRADO, L.; LOPES, R. M. Conexões históricas entre as políticas de rastreamento do câncer de colo do útero e a educação profissional em citopatologia no Brasil. Trabalho, Educação e Saúde, [S.L.], v. 21, p. 1-17, 2023. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/1981-7746-ojs969.

NEUMARK, Y. What can ecological studies tell us about death? Israel Journal Of Health Policy Research, [S.L.], v. 6, n. 1, p. 1-5, 2017. Doi: http://dx.doi.org/10.1186/s13584-017-0176-x.

OLIVEIRA, N. P. D. et al. Desigualdades sociais no diagnóstico do câncer do colo do útero no Brasil: um estudo de base hospitalar. Ciência & Saúde Coletiva, [S.L.], v. 29, n. 6, p. 1-12, 2024. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232024296.03872023.

QUINN, B. A. et al. O aumento da idade prediz um prognóstico ruim para o câncer cervical, com consequente efeito no tratamento e na sobrevida global. Brachytherapy, [SL], v. 18, n. 1, p. 29-37, 2019. Doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.brachy.2018.08.016.

RIBEIRO, C. M. et al. Rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil: análise da cobertura a partir do sistema de informação do câncer. Cadernos de Saúde Pública, [S.L.], v. 41, n. 8, p. 1-13, 2025. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/0102-311xpt152224.

SILVA, M. L. et al. Conhecimento de mulheres sobre câncer de colo do útero: uma revisão integrativa. Brazilian Journal Of Health Review, [S.L.], v. 3, n. 4, p. 7263-7275, 2020. Doi: http://dx.doi.org/10.34119/bjhrv3n4-005.

SILVA, G. A. et al. Avaliação das ações de controle do câncer de colo do útero no Brasil e regiões a partir dos dados registrados no Sistema Único de Saúde. Cadernos de Saúde Pública, [S.L.], v. 7, p. 1-15, 2022. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/0102-311xpt041722.

SILVA, M. D. T.; MARQUES, R. B.; COSTA, L. O. Câncer de colo de útero: barreiras preventivas no século 21. Brazilian Journal Of Health Review, [S.L.], v. 4, n. 2, p. 7610-7626, 2021. Doi: http://dx.doi.org/10.34119/bjhrv4n2-300.

THULER, L. C. S. Mortalidade por câncer do colo do útero no Brasil. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, [S.L.], v. 30, n. 5, p. 1-3, 2008. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0100-72032008000500002.

THULER, L. C. S.; AGUIAR, S. S.; BERGMANN, A. Determinantes do diagnóstico em estádio avançado do câncer do colo do útero no Brasil. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, [SL], v. 6, p. 237-243, 2014. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/s0100-720320140005010.

THULER, L. C. S.; ZARDO, L. M.; ZEFERINO, L. C. Perfil dos laboratórios de citopatologia do Sistema Único de Saúde. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, [S.L.], v. 43, n. 2, p. 103-114, 2007. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/s1676-24442007000200006.

TSUCHIYA, C. et al. O câncer de colo do útero no Brasil: uma retrospectiva sobre as políticas públicas voltadas à saúde da mulher. Jornal Brasileiro de Economia da Saúde, [S.L.], v. 9, n. 1, p. 137-147, 2017. Doi: http://dx.doi.org/10.21115/jbes.v9.n1.p137-47.

VIEIRA, Y. P. et al. Tendências e desigualdades no rastreamento autorrelatado do câncer de colo de útero nas capitais brasileiras entre 2011 e 2020. Cadernos de Saúde Pública, [SL], v. 9, p. 1 a 13, 2022. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/0102-311xpt272921.

Publicado

26.03.2026

Como Citar

Dums, W., & Campos, R. (2026). Disparidades regionais e o impacto da idade na mortalidade por câncer de colo do útero no Brasil (1979-2023). Ets Humanitas - Revista De Ciências Humanas, 4(6), 1–19. https://doi.org/10.5281/zenodo.19235481

Edição

Seção

Artigos de Fluxo Contínuo